Amazon supera o Walmart: o e-commerce venceu o varejo físico?

Compartilhe :
Share on linkedin
Share on facebook
Share on twitter
Share on whatsapp

Depois de 17 anos, a Amazon superou o Walmart em receita anual.

A gigante fundada por Jeff Bezos fechou o último exercício com aproximadamente US$ 716,9 bilhões, contra US$ 713,2 bilhões do Walmart. Uma diferença pequena em números absolutos — mas gigantesca em simbolismo.

Não é apenas uma troca de posições no ranking corporativo.
É um marco na transformação do varejo global.

O que essa virada realmente significa

Durante décadas, o Walmart representou o poder da escala física: lojas espalhadas pelo país, estoque próprio e domínio logístico tradicional.

A Amazon representa outro modelo:

  • marketplace
  • nuvem (AWS)
  • publicidade
  • assinaturas Prime
  • logística própria
  • dados e personalização

Enquanto o Walmart cresceu cerca de 4,7% no último ano, a Amazon avançou mais de 12%.

Mas a história não é simplesmente “online venceu físico”.
É mais sofisticada que isso.

O consumidor mudou — e o varejo precisou acompanhar

A ascensão da Amazon reflete uma mudança estrutural no comportamento do consumidor:

  • busca por conveniência
  • entrega rápida
  • personalização
  • comparação de preços em tempo real
  • integração entre canais

O consumidor não começa mais na loja.
Ele começa no celular.

E chega à loja já informado.

Isso não significa que o varejo físico morreu.
Significa que ele deixou de ser o ponto de partida.

A ironia estratégica: Amazon precisa de lojas físicas

Mesmo sendo o símbolo do e-commerce, a Amazon sabe que escala digital sozinha não sustenta liderança.

A empresa:

  • investe bilhões em centros de entrega no mesmo dia
  • mantém e expande unidades da Whole Foods
  • testa formatos híbridos de supermercado
  • opera lojas físicas em mercados estratégicos

Por quê?

Porque presença física amplia alcance, melhora logística e reduz custo de última milha.

O online venceu a preferência.
Mas depende do físico para sustentar eficiência.

E no Brasil? Mercado Livre é a Amazon brasileira

O paralelo no Brasil é inevitável.

O Mercado Livre lidera o e-commerce nacional, com GMV estimado em aproximadamente R$ 138,9 bilhões, superando gigantes tradicionais do varejo físico.

Para comparação:

  • Amazon Brasil: cerca de R$ 39 bilhões em GMV
  • Magazine Luiza: R$ 46 bilhões
  • Shopee: R$ 40 bilhões

Se o Mercado Livre fosse apenas uma empresa tradicional de varejo, seria o maior varejista do país.

Mas ele também não é apenas digital.

A empresa:

  • expandiu centros logísticos
  • investe pesado em entregas rápidas
  • lançou projeto para integrar lojas físicas via QR codes
  • avança para venda de medicamentos
  • amplia serviços financeiros

Ou seja: o marketplace virou infraestrutura.

O varejo físico também reage

Enquanto a Amazon cresce, o Walmart:

  • ampliou marketplace próprio
  • investe em entregas no mesmo dia para 95% dos lares dos EUA
  • fortalece sua operação omnichannel
  • cresce em publicidade e assinaturas

No Brasil, vemos movimento parecido:

  • Magazine Luiza fortalece integração loja + digital
  • varejistas investem em vitrine infinita
  • CRM e personalização viram padrão

A loja física não morreu.
Ela virou extensão da jornada digital.

O que está por trás dessa mudança

Essa virada não é apenas sobre receita.

É sobre:

  • dados
  • logística
  • recorrência
  • ecossistemas

A Amazon não ganha só vendendo produto.
Ela ganha com:

  • taxas de marketplace
  • publicidade
  • AWS
  • Prime

Modelo híbrido domina.

O varejo tradicional vendia estoque.
O novo varejo monetiza plataforma.

Tamanho importa — mas estrutura importa mais

Superar o Walmart em receita não significa que a Amazon seja maior em varejo puro.

Boa parte da receita da Amazon vem de serviços tecnológicos.

Mas isso reforça a tese central:

Empresas que combinam físico + digital + dados + tecnologia escalam mais rápido.

O centro de gravidade do varejo mudou.

Conclusão

A Amazon ultrapassar o Walmart é um símbolo.

Não significa o fim do varejo físico.
Significa que ele precisa operar integrado ao digital.

O consumidor mudou.
As empresas que entenderam isso primeiro estão liderando.

A pergunta agora não é “online ou físico”.

É:
quem consegue integrar melhor os dois?